sábado, 9 de maio de 2009

Carne Humana

Viajando pelas vielas do nosso mundo desenvolvido e procurando por actividades humanas, através da cortina transparente, observo a carne humana, entre as arcadas setecentistas, embrulhadas em lixo, aquecendo-se com que podem, assisto impávido e passivo à miséria da carne humana. Será que são carne humana vazia? Que objectivos têm? Como se tornam imperceptíveis aos olhos da sociedade? A mim não são invisíveis. São carne humana, dormindo e partilhando emoções na sua própria comunidade, mas como é que eles contribuem para a nossa sociedade? Alimentando os voluntários de segundas intenções, que distribuem o nosso pão ou contribuindo para a venda de livros sociológicos? Auto-exclusão ou exclusão social? Bravos são aqueles que os tentam não excluir, sem segundas intenções, dando o nosso pão, pão esse dado por uma minoria da sociedade. Quem os valoriza? A miséria sente-se rica, com a pobreza humana. Verdade é que muita carne humana é intransigente, e não abdica do seu lugar, do seu estilo de vida, do som dos carros, do som do vento, da não solidão. Solitário e fugitivo da sociedade, reside um carne humana debaixo de uma árvore ao largo da grande Xabregas, no meio do lixo, no meio do nada. Mas não é só a carne humana, que nas ruas se passeiam, carne animal. Sem rumo, sem destino, buscando o novo ou o velho, desembrulhando os restos da carne humana que reside nas estruturas de betão e de outras estruturas sustentadas por barrotes de madeira. Materialismo e comodismo é o ópio da sociedade! Entreajuda e nudismo social, riscados a azul na nossa democracia, pela nossa sociedade! Carne humana, que vive no meio do betão, carne humana, que vive num recanto citadino, quem será mais miserável? Vivendo monotonamente, seguindo a rotina, não vejo quem o não faça, e que luta contra a ditadura do relógio, subjugados ao sistema humano de enriquecimento. Os Amish e as tribos resistem! Outrora, a carne humana lutou por territórios, por riqueza, por religião, por recursos naturais, por nacionalismos exacerbados, por xenofobia, ultimamente por motivos culturais, por água. Pelo ambiente? Pela Carne humana?????

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